
Data de publicação: 21 de maio de 2026
Chicago, EUA — A National Restaurant Association Show, a NRA Show, teve início no último sábado no McCormick Place, em Chicago, reunindo mais de 2.200 expositores ligados à indústria, entre fabricantes de equipamentos, fornecedores de insumos e empresas de tecnologia.
A feira recebeu cerca de 740 participantes brasileiros, o maior grupo internacional confirmado no evento.
O tom de modo geral entre operadores, fornecedores e especialistas é menos de euforia e mais de busca por adaptação. O setor enfrenta um cenário de margens pressionadas, consumo mais cauteloso, falta de mão de obra e necessidade crescente de eficiência nas operações.
Durante painel com jornalistas no evento, representantes do mercado apresentaram um panorama desafiador. De acordo com dados da consultoria Technomic, mais de 40% dos restaurantes independentes dos EUA fecharam o último ano no vermelho, em meio ao aumento de custos e à necessidade de reajustar preços em torno de 4%.
“Valor não significa comida barata”, afirmou David Henkes, analista sênior da Technomic. Segundo ele, o consumidor passou a avaliar de forma mais criteriosa fatores como sabor, tamanho da porção, qualidade do atendimento e preço antes de decidir onde consumir.
O impacto do delivery e do take-away na competição entre marcas. Com diferentes formatos de alimentação disputando espaço nos mesmos aplicativos, os restaurantes passaram a concorrer de maneira ainda mais direta pela atenção e pela recorrência dos clientes.
O impacto dos medicamentos GLP-1
A chamada “economia do Ozempic”, referência ao avanço de medicamentos GLP-1, como Ozempic e Mounjaro. O uso desses remédios começa a influenciar padrões de consumo, impulsionando a busca por porções menores, alimentos ricos em proteína e bebidas funcionais.
“Não é mais uma tendência marginal. A indústria inteira está observando isso”, disse Henkes.
Tecnologia como resposta operacional
Mais do que um diferencial, a tecnologia em especial a IA passou a ser vista como ferramenta essencial para reduzir desperdícios, identificar gargalos e melhorar a gestão das operações.
Khara Mangiduyos, cofundadora do Kalei’s Kitchenette, em San Diego, relatou o uso de uma solução de IA integrada ao sistema de gestão do restaurante para mapear ineficiências. “Não é sobre cortar o tempo todo. É sobre usar melhor os dados que você já tem.”
Na feira, chamam atenção soluções como fritadeiras automatizadas, sistemas inteligentes de controle de temperatura e plataformas capazes de gerenciar reservas e pedidos sem intervenção humana.
Falta de mão de obra segue no centro da agenda
O envelhecimento da população e a menor entrada de jovens no mercado pressionam especialmente as operações mais dependentes de atendimento presencial.
Para especialistas presentes no evento, a resposta não está apenas na automação, mas em tornar o trabalho menos repetitivo e mais sustentável. Ferramentas que aumentam a transparência sobre vendas e gorjetas, reduzem tarefas operacionais e dão mais autonomia às equipes aparecem como caminhos importantes para retenção de talentos.
Bebidas frias ganham protagonismo
A Technomic classificou a categoria como uma nova fronteira para o setor.
Limonadas energizadas, refrescos coloridos e bebidas funcionais com THC, CBD e cogumelos vêm ganhando espaço, especialmente entre consumidores mais jovens. Enquanto isso, o consumo de álcool segue em retração.
A ANR esteve na feira junto da Missão Técnica Galunion Rocket e representada por Fernando de Paula (conselheiro), Fernando Blower (presidente executivo) e Eric Momo (presidente do conselho diretor).



