
Se a pauta ESG é urgente, torná-la viável é o centro da discussão.
Enquanto muito se discute sobre como tornar as entregas mais sustentáveis, ainda há um longo percurso quanto à mudança de hábitos do consumidor. Ainda há uma mentalidade de que é muito mais prático pedir ou levar sua comida e poder simplesmente jogar suas embalagens no lixo uma vez que embalagens reutilizáveis demandam uma ação do consumidor em lavar e levar as embalagens de volta ao restaurante.
Até hoje os mercados não conseguiram deixar de oferecer sacolas plásticas, apenas alterando a sua composição para tentar minimizar o impacto. Lojas que vendem produtos a granel seguem sem conseguir que os seus usuários levem seus potes para serem enchidos continuando a fornecer embalagens plásticas.
E nós, do setor de Foodservice, seguimos investindo no delivery e até take away, mas sem necessariamente nos preocupar com o destino das embalagens. Até porque, a logística dos retornáveis ainda é muito confusa: quem paga pelas embalagens retornáveis? Quem é responsável pela limpeza das mesmas? As pessoas querem essas embalagens?
Em Ann Arbor, Michigan (EUA), um programa está buscando responder estas perguntas. Supervisionado pela Ong Zero Waste.org, envolvendo 4 restaurantes, o Ann Arbor Reduce, Reuse, Return (Ann Arbor Reduz, Reusa e Retorna, em livre tradução do inglês) tem mostrado que os restaurantes podem reduzir custo além de causar um impacto ambiental positivo.
No programa, a organização ficou responsável pela compra das embalagens, tornando-se a proprietária das mesmas. Os consumidores podem devolver as embalagens em qualquer um dos restaurantes participantes e não há cobrança de taxas pelo uso das mesmas. Até agora, os restaurantes que estão participando do piloto relataram não só a redução do uso de plástico como um maior envolvimento da comunidade com o estabelecimento. E acreditam, ainda, que um crescimento do programa ainda poderá levar ã uma equidade de custo com a eliminação dos descartáveis.
Também nos Estados Unidos, no Oregon, o senado aprovou uma lei que permite que os restaurantes autorizem seus clientes a levarem suas embalagens para pedidos “to-go”, o que, assim como acontece em supermercados de lá e algumas lojas no Brasil, deve ajudar a reduzir o lixo de embalagens dando uma sobrevida ilimitada às embalagens. Pela lei, não é requerido que os recipientes estejam limpos e secos nem é estabelecida uma quantidade de vezes que a embalagem pode ser usada.
Além das lojas que vendem temperos, castanhas e outros produtos alimentícios a granel, aqui no Brasil o restaurante Olivia Saladas, com 3 lojas no Rio de Janeiro e uma em São Paulo, já investe em embalagem retornável há algum tempo. Certificada como Empresa B, que reconhece a transparência e o modelo de negócio que busca o desenvolvimento social e ambiental, o restaurante que oferece saladas práticas e frescas, não utiliza nenhum tipo de descartável em suas lojas além de ter embalagens retornáveis que são cobradas na primeira entrega, bastando informar que devolverá uma no próximo pedido para não ser mais cobrado.
E você, como tem pensado a sustentabilidade em seu estabelecimento?



