Jornada ANR 2026 – Breve Resumo da 4ª edição

Data de publicação: 24 de abril de 2026
São Paulo, 14 e 15 de abril. A 4ª Jornada ANR reuniu mais de 840 participantes no Espaço APAS, destacando cinco trilhas de conhecimento estratégico para o setor de restaurantes e alimentação fora do lar.
O dia inaugural evidenciou o momento de grande atuação da ANR, sob lideranças de Erik Momo e Fernando Blower, que ressaltam a importância da união do segmento para ampliar a representatividade.
Preparamos um breve resumo dos conteúdos apresentados no evento.
Panorama ANR e conquistas recentes
O Panorama ANR abriu as atividades, com Fernando Blower, Presidente Executivo da ANR, enfatizando as ações que moldaram o cenário recente: participação na Reforma Tributária e a obtenção de regimes especiais, como a redução de 40% na alíquota padrão e a exclusão das gorjetas da base de cálculo. Blower destacou o redesenho da governança da ANR desde 2021, a aposta em capacitação e a produção de estudos, incluindo o lançamento do primeiro Anuário da ANR, apresentado na jornada. Além disso, reforçou que a agenda de 2026 prioriza encontros proprietários para fortalecer a comunidade do setor, com iniciativas como Encontros ANR, Almoço de Líderes e encontros internacionais, sempre com foco na colaboração.
Cenário político e econômico
O dia contou com a participação de João Hummel, da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, que trouxe uma leitura aguçada sobre o papel do Executivo e do Legislativo na formulação de políticas. Ele destacou a importância de estratégias de advocacy que aproximem o setor do conjunto de deputados e senadores, diante da atual dinâmica de medidas provisórias e do protagonismo do Congresso.
Fabio Bentes, Economista-chefe da CNC, projetou impactos da taxa Selic alta e da inflação nos negócios de alimentação fora do lar. Entre os destaques, o economista apontou para a previsível redução do consumo com custos de crédito mais altos e alertou para efeitos da alta de combustíveis no turismo e no setor de restaurantes. Dados da CNC indicaram que o setor deve movimentar cerca de R$ 2,42 bilhões com a Copa do Mundo, crescer 2,4% em 2026 e empregar expressivas 77,4 milhões de horas semanais. A correlação entre custos trabalhistas e preço de produtos também foi comentada, com alertas sobre o eventual fim da escala 6×1.
Comportamento do Consumidor
Gustavo Arruda, da Mastercard, apresentou insights do Mastercard SpendingPulse sobre o desempenho de 2025 no setor. O varejo de restaurantes cresceu 1,4% em termos reais e 9,2% em termos nominais, com inflação de serviços de alimentação estimada em 7,8%. A Mastercard também elaborou, em parceria com a ANR, uma segmentação por tipos de culinária, revelando que hambúrgueres representam 22% do mercado, seguidos por bares (18%) e churrasco (13%). Padarias, frango e cafeterias aparecem como as maiores acelerações, refletindo mudanças de comportamento de consumo.
Gastronomia e experiência: identidade e hospitalidade
No painel da trilha Gastronomia & Experiência, Telma Shimizu (Aizomê), Ricardo Garrido (CiaTC) e Ivan Achcar (Escola de Gestão em Negócios da Gastronomia) debateram a importância da gestão de qualidade no atendimento e na fidelização. Garrido ressaltou que o cuidado com o cliente — além do simples atendimento — nasce da gestão que antecipa necessidades, enquanto Achcar enfatizou a necessidade de treinamento contínuo para manter padrões consistentes.
Restaurantes com discurso: cultura como diferencial de negócio
Chef Danilo Parah (Rudä), Paty Durães (pesquisadora) e a chef Andressa Cabral (Yayá Comidaria) discutiram como a identidade e os valores de um restaurante influenciam a decisão de visitação, destacando que a reputação cultural pode ter peso financeiro relevante.
Grandes experiências com baixo custo
Painel dedicado a experiências de alto impacto com orçamento enxuto contou com a participação da chef Ana Soares (Mesa III), Romulo Morente (Moela e Sururu) e Guilherme Bon (Botica e Miudinho), em debate mediado por Ricardo Garrido, destacando soluções criativas para manter qualidade e satisfação do cliente sem comprometer as margens.
Novos hábitos – como adaptar negócios, estruturas e a gestão para o comportamento do consumidor
Encerrando a trilha Gastronomia & Experiência a participação de Leo Spigariol, CEO da Artisano, e de Antonio Filho, CFO do Grupo DOM. Diretora executiva e criativa da consultoria Foodness, Re Cruz foi a mediadora. Discutiram sobre o futuro do segmento, o impacto no setor de restaurantes, das canetas emagrecedoras e da redução no consumo de álcool, entre outros temas.
Tecnologia, eficiência e transformação no varejo
Durante a Arena Food Tech, o dia integrou práticas de IA, delivery, análise de dados e automação para elevar a eficiência operacional, reduzir custos e aprimorar a experiência do consumidor.
O 1º dia da 4ª Jornada ANR consolidou o tom da edição: governança fortalecida, ações regulatórias em pauta, e uma aposta clara na construção de comunidade e de conhecimento prático para enfrentar os desafios do setor.
No seu segundo dia, debates sobre segurança dos alimentos, regulamentação, gestão de pessoas e inovação com foco em práticas de qualidade, cultura organizacional e uso de tecnologia. Dia dedicado ao Encovisas que completou 15 edições e o Restaura RH chegando à 9ª edição.
Encovisas, segurança e qualidade na cadeia produtiva
O Encovisas ampliou o debate sobre segurança alimentar, regulamentações e qualidade em cada elo da cadeia produtiva, enfatizando padrões de higiene, rastreabilidade e conformidade com normas vigentes, em alinhamento com as exigências regulatórias atuais.
Restaura RH: cultura e diversidade como alavanca de crescimento
O Restaura RH destacou casos de sucesso em gestão de pessoas, cultura organizacional, inclusão e desenvolvimento de lideranças. Casos práticos mostraram como políticas de diversidade e programas de treinamento contínuo impulsionam retenção, satisfação e produtividade.
Pessoas, cultura e inovação na prática
O segundo dia abriu com o Restaura RH, apresentado por Fábio Sant’Anna, Diretor de Gente, Diversidade e Inclusão da Arcos Dourados. Sant’Anna destacou a importância de olhar para a juventude, diversidade e inclusão como alavancas de performance, com foco na retenção e no desenvolvimento de lideranças dentro da maior rede de fast food da América Latina. O bloco também abordou jornadas de trabalho e modelos contratuais alternativos, como a escala 5×2 e contratos intermitentes, discutindo impactos sobre turnover, custos e atração de talento.
6×1 e novas jornadas de trabalho
Marcella Viotti (Radar Governamental) abriu o debate sobre possíveis reformas na jornada de trabalho, incluindo o fim da escala 6×1, tema com amplo momentum político e social. Bianca Dias (Serur Advogados) ressaltou que uma solução única para todos os segmentos não é viável; cada setor tem especificidades, como sazonalidade e festividades. Dias também mencionou o contrato intermitente como uma opção flexível para transições, apontando crescimento de contratos nesse formato nos últimos anos.
NR-1, saúde mental e compliance
O bloco NR-1 e Saúde Mental trouxe Rafael Mello (Mazzuco & Mello), Mariana Bento (Amplitude Saúde) e Elton Moraes (Amplitude Saúde) para discutir como transformar a NR-1 em aliada dos negócios. Aspectos como pausas regulares, treinamento de lideranças e canais de escuta foram enfatizados como mecanismos para mitigar riscos psicossociais. Dados de afastamentos por saúde mental no Brasil em 2025 foram apresentados para contextualizar a urgência de ações estruturadas.
Perspectivas para 2026 e impactos regulatórios
O painel de perspectivas contou com Erik Momo, Fernando Blower e Rodrigo Testa, sob mediação de Carla Tellini. Os executivos avaliaram o cenário para 2026, destacando a necessidade de ajustes operacionais diante de inflação, custos de energia e o desempenho de investimentos que não dependem apenas da Selic. A Copa do Mundo foi citada novamente como fator de impacto: eventos grandes costumam reduzir o fluxo de clientes em cidades sede, embora tenham efeito misto dependendo do tipo de estabelecimento.
Atualizações jurídicas: sinais para o setor
Andrea Tavares (Dias e Pamplona Advogados) discutiu as implicações do possível fim da escala 6×1, ressaltando a importância de modelos contratuais adaptados à carga horária efetiva, para evitar superdimensionamento remuneratório e ociosidade.
Perspectivas para o ecossistema de restaurantes em 2026
O dia concluiu com uma visão integrada de longo prazo: fortalecimento da governança, uso estratégico de tecnologia e foco na experiência do cliente, sem perder de vista a sustentabilidade financeira.
A ANR reforçou seu papel como facilitadora de conhecimento, networking e defesa do setor diante das mudanças regulatórias e do cenário macroeconômico, promovendo um evento-chave de grande escala para o segmento que se tornou a Jornada ANR.
Agradecemos a todos que participaram desta edição pelo envolvimento, enriquecimento das conversas e espírito de colaboração. Até o ano que vem!
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