Enchentes no Rio Grande do Sul – Impactos e Recuperação

Data de publicação: 15 de julho de 2026
Com base em insights do Mastercard SpendingPulse™.
Panorama Nacional
O mês de maio de 2024 foi marcado por um evento climático extremo que afetou severamente o Rio Grande do Sul. O consumo em bares e restaurantes sofreu uma retração de 5% na comparação com maio de 2023, o que representou uma perda de R$ 35 milhões em volume transacionado.
Esse dado é particularmente relevante quando comparado ao desempenho nacional no mesmo período, enquanto o país como um todo seguia em trajetória de crescimento, o Rio Grande do Sul amargou seu pior resultado do ano, refletindo o fechamento temporário de estabelecimentos, a interrupção de atividades turísticas e a redução da mobilidade urbana nas regiões mais afetadas.

A reação do mercado foi surpreendentemente rápida. Já em junho de 2024, o consumo registrou um salto de 17% YoY, adicionando cerca de R$ 140 milhões em consumo frente ao mesmo mês do ano anterior.
Entre setembro e dezembro, o consumo manteve uma trajetória consistente de expansão, com crescimento de 10% em 2024 (+R$ 380 milhões) acumulada no período e 8% em 2025 (+R$330 milhões).
Em maio de 2026, o consumo atingiu novo pico, crescendo 17% YOY, o equivalente a R$ 167 milhões adicionais.

Principais observações
- Porto Alegre apresentava forte crescimento antes das enchentes, com +14% YoY em março de 2024 (+R$ 62 milhões);
- O impacto concentrou-se em maio, com queda de 7% YoY (-R$ 32 milhões), após crescimento de 6% em abril (+R$ 28 milhões);
- A recuperação começou já em junho, com alta de 22% YoY (+R$ 99 milhões), refletindo a rápida retomada da atividade econômica, proveniente de possível demanda reprimida ou ajuda nacional no local da tragédia;
- Aplicando um crescimento médio mensal observado desde 2022 de 2%, o volume esperado para o mês de maio 2024 seria de R$ 475 milhões (+R$70 milhões acima do registrado no mês).
- Curitiba manteve crescimento positivo ao longo de todo o período, sem registrar retrações durante os meses das enchentes no Rio Grande do Sul;
- Entre abril e julho de 2024, o consumo permaneceu resiliente, com crescimento em todos os meses frente ao ano anterior, adicionando um pico de R$ 49 milhões em volume transacionado em maio;
- O contraste com Porto Alegre evidencia que os impactos econômicos das enchentes foram localizados, e não uma desaceleração generalizada do consumo na região Sul.
Caxias do sul foi a mesorregião mais afetada em relação ao impacto no consumo de restaurantes e bares durante as enchentes

Principais observações
- Caxias do Sul teve sua trajetória de crescimento interrompida pelas enchentes, após registrar +18% YoY em março de 2024 (+R$ 22 milhões);
- Os impactos foram mais prolongados que em Porto Alegre, com retrações consecutivas entre abril e julho, chegando a -24% YoY em maio (-R$ 36 milhões) e acumulando perdas até julho (-R$ 40 milhões);
- A recuperação ocorreu de forma gradual ao longo de 2025, com destaque para maio (+R$ 65 milhões YoY), e em maio de 2026 a região lidera o crescimento do consumo entre as mesorregiões do Brasil com aumento de 20% Yoy (+R$ 36 milhões).

Principais observações
- As quatro mesorregiões do sul apresentam comportamento de consumo semelhante ao longo dos
últimos anos, com crescimento consistente entre março e julho; - Mesmo após as enchentes de 2024, o consumo manteve sua trajetória de crescimento, com junho registrando o maior volume do período em todas as regiões inclusive quando comparado com 2025;
- O padrão observado em 2025 e 2026 reforça que o impacto foi temporário, sem alterar a sazonalidade estrutural do consumo nessas regiões.
O crescimento real foi calculado a partir do crescimento nominal reportado pelo SpendingPulse, descontada a inflação implícita setorial com base em dados do IBGE/SIDRA. O SpendingPulse reporta crescimento nominal e não ajusta automaticamente por inflação.
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